Fui, de intenção bem definida, cara lavada e postura contida, comprar-te um pouco do que te faltava. Como flecha porta fora, nome de gato e pressa na hora, comprar-te um pouco do que te faltava. Comprar-te um pouco porque te faltava, lá fui eu de cara lavada, postura contida que já é hora.
Pouco me adianta a obsessão, raio de gato que assusta o cão, chega o vizinho acompanhado da sogra: no pomar da Teresa só há limão, não saio para a rua que não adianta, convida-me o estranho que a sogra faz a janta.
Ovos não arranjo mas já sei fazer um bolo, o cão não se cala irritado com o dono, vizinho que engraça com o raio do gato. Largo a postura que já não me encanta, ouço a sogra com os planos da janta e o vizinho diz-me que comprou um cato.
Não me admiro que a sogra saia, eu não arranjo os ovos para a catraia, e o vizinho não se cala com o cato. Chove que dói para eu não sair, assim não sei como fugir, raio do gato que não se cala.
Espera a catraia nas suas fantasias, e eu já farta de pudins de manias, encanto-me com o raio do cato. Gosto muito do teu pudim, lambuzo-me do principio ao fim, mas que saudades já me dá de um gato.
Ouço ao longe a irritação do cão, lembro-me da sogra e penso que não, flecha fora que me agarras. Agarras-me e eu penso “ui”, apresentas-te e és o Rui, e não era para ir, mas olha, eu fui.