Às vezes, simplificamos ao ponto de negligenciar sem saber. E às vezes a nossa negligência leva-nos a ter de dormir uma noite num limbo para ganharmos consciência que a distância entre um quase céu e um quase inferno é uma linha reta de quase sorte, não, de sorte mesmo, quando exerce força oposta ao bem feita, negligenciaste tanto que merecias. E por limbo, entenda-se um quarto de arrumos de colchões, sem porta, no final de um corredor num hostel. E sobrevivemos à noite, ao desconforto, ao frio e ao cansaço, às entradas, saídas, luzes, barulhos e incômodos, do limbo regressamos ao quase céu porque não fui intencionada que merecesse o inferno, e levamos gargalhadas para contar a história de quando fomos quase sem abrigo de luxo.